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Sábado, 11 de Julho de 2009

As Batatas

Publicado no Supremacia Colorada no dia 10/07/2009.

Terça-feira à noite li no site da BBC Brasil uma matéria interessante produzida por Anelise Infante, correspondente madrileña da BBC, e que tinha como título o seguinte: “Atletas deveriam beber cerveja todo dia, diz estudo”.

Inevitável a minha comparação com a fase atual do Inter e hoje, depois da segunda final perdida em 8 dias, se mostra passível de uma profunda reflexão.

No texto da reportagem, Anelise nos fala sobre o estudo o seguinte:

(…) os componentes da cerveja ajudam na recuperação do metabolismo hormonal e imunológico depois da prática desportiva de alto rendimento e também favorece a prevenção de dores musculares.

O estudo foi realizado em dois anos e recomenda o consumo de três tulipas de 200 ml de cerveja (ou de 20g a 24g de álcool) para homens e duas para mulheres (10g a 12g) por dia; volume que os autores do relatório definem como moderada.

O destaque acima à palavra moderada foi proposital. Pois pensando cá com meus botões um tanto inchados, apesar da liderança do Brasileirão, cheguei a seguinte conclusão: ou nossos atletas estão abusando da noite e dilatando demais o conceito de moderada ou estão vivendo em um convento, reclusos, abstêmios, pastando, cagando e andando para qualquer crítica ou auto-crítica.

O que se viu nos dois jogos da final da Copa do Brasil contra o Corinthians e nos dois jogos contra a LDU foi uma verdadeira VERGONHA, para ficar bem calmo.

Uma certeza eu tenho dessa situação toda: a culpa é 90% dos JOGADORES, apáticos, sem vontade e sem VERGONHA alguma. Os outros 10% coloca na conta do Tite e do Departamento de Futebol, que andam passando muito a mão na cabeça de alguns jogadores e, este último em especial, não tem cobrado o Tite de forma incisiva para escalar os MELHORES, e não os mais amigos do treinador.

Aliás, trago outra citação que muito bem ilustra e coloca os perdedores em seu devido lugar e que me pareceu ótima para ilustrar o que nos falta. Fala, ó, grande filósofo, QUINCAS BORBA:

Supõe tu um campo de batatas e duas tribos famintas. As batatas apenas chegam para alimentar uma das tribos, que assim adquire forças para transpor a montanha e ir à outra vertente, onde há batatas em abundância; mas, se as duas tribos dividirem em paz as batatas do campo, não chegam a nutrir-se suficientemente e morrem de inanição. A paz, nesse caso, é a destruição; a guerra é a conservação. Uma das tribos extermina a outra e recolhe os despojos. Daí a alegria da vitória, os hinos, aclamações, recompensas públicas e todos os demais efeitos das ações bélicas. Se a guerra não fosse isso, tais demonstrações não chegariam a dar-se, pelo motivo real de que o homem só comemora e ama o que lhe é aprazível ou vantajoso, e pelo motivo racional de que nenhuma pessoa canoniza uma ação que virtualmente a destrói. Ao vencido, ódio ou compaixão; ao vencedor, as batatas.

O Inter vêm jogando de forma infantil. É um lord inglês, um gentleman. São qualidades admiráveis, mas não em um campo de futebol e disputando uma taça. Alguns tentam salvar o Guiñazu, mas nem ele tem demonstrado toda a sua capacidade por conta da completa abstração e comodismo do restante do time. O time não tem mais uma cara, muito menos tem uma alma. Não têm FOME para vencer as batalhas e seguir para além das próximas colinas. Dividiu as batatas com a outra tribo alvi-negra faminta e foi dizimado por essa tribo na Copa do Brasil, mas não aprendeu. Quis dividir novamente com a tribo equatoriana e foi solapada inapelavelmente por uma tribo fraca, que tinha sido eliminada na primeira fase da Libertadores em situação parecida com que passamos em 2007 na mesma competição.

O Internacional segue sendo dizimado pelas tribos pela sua atitude amigável. Parece que se contentou com os hinos, aclamações, recompensas públicas que o Gauchão trouxe (falsamente).

Ao vencido, ódio ou compaixão; ao vencedor, as batatas.

Se o Gauchão matou a fome dos jogadores, não matou a fome dos TORCEDORES. Queremos mais, sempre mais. Queremos SEMPRE as TODAS AS BATATAS!

Quinta-feira, 14 de Maio de 2009

Abril Vermelho


Publicado no Supremacia Colorada no dia 13/05/2009

O termo que uso como título desta postagem é controverso. É como o famoso e sempre suspeitíssimo Movimento dos Sem-Terra "comemora" o aniversário do famigerado e lamentável Massacre de Eldorado dos Carajás, ocorrido em 17 de abril de 1996, no sul do Pará.

Mas, apesar de ser um termo controverso, não é desta controvérsia, dos fatos e factóides que envolvem o referido Movimento, que quero falar hoje, depois de pouco mais de um mês de ausência deste espaço, devidamente justificada. Uso o termo para me referir ao Glorioso  e Centenário Sport Club Internacional.

Pois senão vejamos: começa com Inter x Avenida, excepcionalmente jogado no Estádio do Passo d'Areia. Goleada e atuação de gala com os reservas. Segue com os fantásticos festejos do Centenário do Clube do Povo do Rio Grande do Sul. Momento ímpar na história do futebol brasileiro, uma vez que nenhum outro Clube até hoje organizou tamanho festejo como os realizados no começo do último mês de abril. E as festividades se pautaram não somente pelo imenso sucesso de público, mas também pela extrema qualidade e organização quase impecáveis que tiveram. Um Centenário de todos e para todos os Colorados e Coloradas terem na memória até o derradeiro dia, aquele em que iremos encontrar o Patrão Supremo lá nos vastos campos da campanha celestial.

E nada melhor para ser a cereja do bolo de aniversário do que um Gre-NAL. Melhor do que o Gre-NAL? A VITÓRIA. Jogo pegado, com uma leve superioridade do rival em alguns momentos do jogo, mas onde prevaleceu a superioridade técnica e a efetividade do Internacional. O "Gre-NAL do Centenário", que culminou com a eliminação do co-irmão do Campeonato Gaúcho, aliás, mais uma eliminação do Grêmio pelo Internacional em eliminatórias. Jogos eliminatórios e Gre-NAL é sinônimo de uma coisa SEMPRE: o Internacional passa. A escrita foi mantida.

Depois do sufoco, da única derrota em jogos oficiais até agora em 2009 e dos 160 minutos sem gol contra o União de Rondonópolis, nossa atenção retorna para a Copa do Brasil. Jogo em Campinas contra o outrora grande Guarani e, pra variar, mais uma vitória Colorada. Dois de Taison. O gosto amargo pelo gol do Guarani no finalzinho do jogo restou, a todos mas foi devolvido com juros e correção monetária no jogo de volta, onde o Inter foi inapelável e tocou cinco só pra mostrar o quão caro foi aquele gol em Campinas.

Entre esses jogos da Copa do Brasil, a semi-final da Taça Fábio Koff contra a Ulbra e a final contra o Caxias. Os resultados foram óbvios: vitória do Internacional. E mais duas goleadas. Contra o time de Canoas (que, registremos, se chama Ulbra, ou chamava, já que encerrou suas atividades devido à crise financeira da Universidade) foi 4x0. Já contra o time do Caxias nem tem muito mais o que falar além dos 8x1 que restou no placar ao final dos 90 minutos. Isso que foi 7x0 no primeiro tempo do jogo, algo que eu não me recordo ter visto em meus parcos (mas bem vividos) 25 anos de idade.

Resultado: Taça Fábio Koff no armário para se juntar à Taça Fernando Carvalho e o título de Campeão Gaúcho 2009 conquistado de forma invicta e antecipada.

Voltamos novamente para a Copa do Brasil e o adversário foi o Náutico. Primeiro jogo lá nos Aflitos (aquele da gloriosa Batalha travada na Série B em 2005 pelo Porto-alegrense) e encerra-se o mês de abril com mais um 3x0 para o Colorado.

Então, amigos, deixando de lado as controvérsias sobre o termo que dá título a este post, foi ou não foi um verdadeiro "Abril Vermelho"?

E que venha o "Maio Vermelho", o "Junho Vermelho"...

Quer saber? 

Que 2009 inteiro seja completamente VERMELHO!

Quarta-feira, 13 de Maio de 2009

Mudanças



O título não poderia ser mais do que óbvio.

Mas para justificar-me perante os meus três ou nove leitores diários venho dizer que neste pouco mais de um mês de afastamento do blog estive em processo de mudança de apartamento.


Como ainda tenho acesso relativamente restrito à Internet, não devo efetuar grandes e vultuosas postagens. Até porque nem meu estilo é este. 

Porém, devo recomeçar a postar bem mais de novo a partir de agora com as coisas voltando a se encaixar nos seus devidos lugares, até porque tem MUITA coisa acontecendo por aí e muitos pensamentos fazendo sinapses em meus neurônios de forma absurdamente insanae que precisam ser compartilhadas com o mundo.


Aguardem, parcimoniosos leitores. Este louco não vos abandonará (não pretendo ao menos tão cedo...).

Sábado, 4 de Abril de 2009

Nossas Crenças Mais Doces

Publicado no Supremacia Colorada no dia 02/04/2009

Eu provavelmente vou ser chamado de desleixado, relapso, vagal. Mas me curvei diante da dura – e doce – realidade.

Tinha um texto pronto dentre as minhas sinapses para esta Semana, e assim a escrevo porque não é uma semana qualquer. Não mesmo. Esta é a Semana do Centenário do Sport Club Internacional. Merece todas as capitulações possíveis.

Mas meu humilde texto, que falaria de algumas lembranças marcantes de um passado nem tão distante assim se comparados aos meus singelos vinte e cinco anos (mas que já fazem alguns cabelos alvos pipocarem dentre os demais fios), perdeu qualquer sentido de ser e existir diante da enormidade que acabo de receber e ler.

As palavras que deixo com vocês, não todas para não estragar o suspense, algumas apenas, são do amigo Emanuel Neves.

Antes de mais nada, uma breve sugestão ao parcimonioso leitor. Leia, acima de tudo, como se a Carta a seguir não fosse para Henrique, mas sim pra ti.

Eis que, em um determinado trecho, Emanuel diz a Henrique o seguinte:

(…)Se puderes, corra a linha do tempo até um domingo qualquer e admire o estádio lotado. É um portento, grandioso demais até no nome. As multidões se vão até ele em carreira, acodem-se em verdadeiras e intermitentes procissões. Há na velha arena da Padre Cacique, por onde quer que se mire, toda a sorte de simbolismos coletivos e particulares. Cada pedaço do Gigante abriga em sua memória centenas de pequenos milagres e tragédias, de confissões, promessas e êxtases hieráticos – muitos vividos sobre joelhos quedados no cimento, sublimados em rostos traçados por lágrimas. Sentando-se em qualquer ponto, vê-se o chão cor de esmeralda e seus arcos brancos – e eles sugerem tudo de mais bendito que possa haver.(…)

E segue dizendo a Henrique:

(…)O clube altruísta e igualitário que tu imaginaste, a instituição sem barreiras de qualquer tipo, que abriria a porta do esporte a todos, confirmou e extrapolou os seus propósitos. Democraticamente, aceitou simpatizantes de toda a espécie, instaurando novos paradigmas, exatamente como tu determinaste. Porém, não se poderia prever que, uma vez identificado ao Clube do Povo, o colorado não encontraria mais opções: pegaria-se controlado pela ditadura da paixão vermelha, envolvido a ponto de nada mais importar, preso e fiel ao solitário dogma de amar o Internacional sobre todas as coisas.(…)

E fecha com chave de DIAMANTE, porque OURO vale pouco ante as seguintes palavras:

(…)Na aurora do primeiro centenário do Sport Club Internacional, a nação alvirrubra agradece ao seu fundador por ter criado a nossa razão de viver.(…)

E tu, caro leitor do Supremacia, poderás conferir na íntegra este texto embasbacante no site do Movimento INTERnet/BV, sem cortes nem censuras como as praticadas acima por este tolo servo do Manto Alvi-Rubro.

Deixemos nos levar com gosto naquilo que Emanuel humildemente tem a dizer para Henrique. Regozijemos, solitários ou acompanhados, ricos ou pobres, negros ou brancos, maragatos ou chimangos, republicanos ou imperialistas, judeus ou muçulmanos, gaúchos ou catarinenses, brasileiros ou americanos…

Afinal, não importa o que tu sejas. Acima de tudo, de todos, de qualquer diferença e de qualquer semelhança, há apenas um algo que nos une – e nos basta. Celebremos, pois, mais do que nunca, o Centenário do Glorioso Sport Club Internacional.

Como disse brilhantemente durante esta Semana o Deputado Federal Ibsen Pinheiro em Zero Hora, um Clube de TODOS.

P.S.: Este texto está propositadamente sendo publicado às 0h do dia 4 de abril de 2009.



 

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